
No mercado educacional, a "garantia de presença" do professor é frequentemente vendida como o selo máximo de qualidade. Para muitos pais e mantenedores, a sala de aula com o professor à frente é o indicador de que o serviço está sendo entregue.
Mas o que acontece quando esse professor está presente fisicamente, mas sua capacidade psíquica de entrega está no limite da exaustão?
Este fenômeno tem nome: Presenteísmo. Trata-se daquela presença invisível, em que o docente, mesmo sob sofrimento, não se afasta do trabalho. O impacto disso não é apenas individual; ele reverbera diretamente nos resultados institucionais e, principalmente, na qualidade da aprendizagem do estudante.
Este problema invisível ocorre por inúmeros motivos e um deles é o não reconhecimento dos limites pessoais, o excesso de responsabilidade, o zelo pelo trabalho e por uma entrega sempre maior, isso significa dizer, que seus melhores professores podem estar em risco real neste momento.
Muitos ingressam na docência movidos por um projeto de vida: a nobre missão de transformar gerações. No entanto, para ser capaz de proporcionar esta transformação social, é preciso entender que a educação não é apenas um "dom", mas uma profissão que exige formação intelectual e, sobretudo, saúde pessoal.
António Nóvoa fala de uma formação de professores que considere que a profissionalização passa pela pessoalização, no sentido que existem muitas “soft skills”, que precisam ser desenvolvidas na pessoa do professor para que ele possa exercer sua profissão de maneira mais profunda e ao mesmo tempo com mais leveza.
As queixas dos professores não são injustificadas. Como aponta o estudo de Monteiro et al. (2019), realizado com docentes da rede privada, o adoecimento mental nessa categoria é alimentado pela mercantilização do ensino e pela pressão desproporcional por resultados. Segundo a pesquisa, embora as condições financeiras da rede privada possam ser superiores às da pública, os fatores de estresse são específicos: o excesso de cobranças, a sobrecarga de atividades e o medo constante da demissão (Boas et al., 2018).
A pesquisa de Monteiro et al. (2019) traz evidências de elementos que são silenciados e que impactam na saúde mental do professor, e por isso precisam ser lidas com atenção por gestores e diretores:
Diante desse cenário, cabe uma pergunta provocativa aos mantenedores: Você tem a dimensão do quanto a sua instituição gasta hoje com os efeitos colaterais do adoecimento?
O custo do presenteísmo envolve desde a queda na retenção de alunos até o desgaste da imagem institucional por aulas desvitalizadas.
Agir na prevenção é o caminho mais sustentável, investir em suporte psicossocial, espaços de escuta e políticas de valorização não pode ser considerado com custo extra, mas um investimento fundamental para evitar o desgaste emocional e psíquico dos seus professores.
A escola é um lugar por excelência das relações, tudo que se faz no processo de ensinar e aprender, perpassa por relações, e se o seu aluno tem relações qualificadas, ele até perfuma melhores índices de aprendizagem. O professor é o centro da engrenagem humana que sustenta a escola. Afinal, uma instituição de excelência não se faz apenas com professores presentes, mas com profissionais saudáveis e inteiros em sua capacidade de ensinar.